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Lei 15.487/2026: o que mudou nos crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes

A Lei nº 15.487/2026 promoveu uma ampla atualização no tratamento jurídico dos crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, especialmente no ambiente digital e em situações envolvendo o uso de inteligência artificial. A norma alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Código Penal, o Código de Processo Penal, a Lei dos Crimes […]

Diretoria

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11 set 2026 · 9 min de leitura

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Lei 15.487/2026: o que mudou nos crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes

A Lei nº 15.487/2026 promoveu uma ampla atualização no tratamento jurídico dos crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, especialmente no ambiente digital e em situações envolvendo o uso de inteligência artificial.

A norma alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Código Penal, o Código de Processo Penal, a Lei dos Crimes Hediondos e a Lei de Combate ao Crime Organizado. Para quem estuda para concursos jurídicos, trata-se de uma atualização legislativa de alta relevância, sobretudo em Direito Penal, Processo Penal, Infância e Juventude e legislação especial.

O que é a Lei 15.487/2026?

A Lei nº 15.487/2026 instituiu medidas de enfrentamento e repressão à violência sexual contra crianças e adolescentes, com atenção especial aos crimes praticados no ambiente digital e ao uso de novas tecnologias, inclusive inteligência artificial.

Em termos práticos, a lei endureceu o tratamento penal de diversas condutas, ampliou hipóteses de investigação, atualizou tipos penais do ECA e reforçou mecanismos de proteção e atendimento às vítimas.

Para concursos, o ponto central é perceber que a lei não alterou apenas um dispositivo isolado. Ela promoveu uma atualização transversal, alcançando normas materiais, processuais e leis penais especiais.

Quais leis foram alteradas?

A Lei nº 15.487/2026 alterou cinco diplomas principais:

Diploma alteradoPrincipal ponto de atenção
Estatuto da Criança e do AdolescenteAtualização dos crimes relacionados à violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive em ambiente digital
Código de Processo PenalAmpliação das hipóteses de prisão preventiva
Lei dos Crimes HediondosInclusão de diversos crimes do ECA no rol de hediondos
Lei de Combate ao Crime OrganizadoNova causa de aumento envolvendo criança ou adolescente ou crimes previstos no ECA
Código PenalAlteração dos efeitos da condenação para determinados crimes

Essa amplitude torna a lei especialmente relevante para provas objetivas, discursivas e orais, porque permite cobrança em diferentes disciplinas e sob diferentes enfoques.

O que mudou no Estatuto da Criança e do Adolescente?

O Estatuto da Criança e do Adolescente foi o diploma mais impactado pela Lei nº 15.487/2026.

Entre as principais alterações, destacam-se mudanças nos artigos 190-A, 190-C, 240, 241, 241-A, 241-B, 241-C, 241-D, 241-E e 244-A, além da inclusão de novos dispositivos, como os artigos 190-F, 226-A, 227-B e 227-C.

De modo geral, a lei substituiu expressões anteriores, como “cena de sexo explícito ou pornográfica”, por uma noção mais ampla de “material ou conteúdo de violência sexual contra criança ou adolescente”. Essa mudança é importante porque atualiza a legislação para alcançar novas formas de produção, circulação, manipulação e compartilhamento de conteúdo ilícito.

Também houve aumento de penas, inclusão de novas condutas típicas e previsão expressa de hipóteses relacionadas a plataformas digitais, redes sociais, serviços de vídeo sob demanda, aplicativos e outros ambientes virtuais.

Como a lei trata o ambiente digital e a inteligência artificial?

Um dos pontos mais relevantes da Lei nº 15.487/2026 é a adaptação da legislação penal ao ambiente digital.

A norma passou a considerar, em diferentes dispositivos, o uso de tecnologias digitais, inteligência artificial, deepfake, filtros, perfis falsos, anonimização, aplicativos de mensagens, redes sociais, jogos online e outros meios digitais.

No artigo 241-C do ECA, por exemplo, a lei passou a punir a simulação da participação de criança ou adolescente em conteúdo de violência sexual por meio de adulteração, montagem ou modificação de fotografia, vídeo ou outra forma de representação visual, inclusive com uso de inteligência artificial.

Já o artigo 241-E passou a conceituar “material ou conteúdo de violência sexual contra criança ou adolescente” de forma mais ampla, abrangendo representações reais ou fictícias, inclusive aquelas produzidas, manipuladas ou geradas por tecnologias digitais, incluindo inteligência artificial.

Esse ponto merece atenção especial em provas, porque conecta Direito Penal, proteção integral, crimes digitais e novas tecnologias — temas que têm grande potencial de cobrança em concursos contemporâneos.

O que é a ronda virtual prevista no ECA?

A Lei nº 15.487/2026 incluiu o artigo 190-F no Estatuto da Criança e do Adolescente, prevendo a licitude da chamada “ronda virtual”.

A ronda virtual consiste na atividade realizada por órgão de persecução penal, mediante uso de software destinado à identificação e coleta de arquivos disponibilizados em ambientes digitais públicos e relacionados a crimes de violência sexual contra criança ou adolescente.

A própria lei estabelece que essa atividade não configura interceptação de comunicações nem infiltração policial, além de dispensar autorização judicial prévia. Contudo, a coleta deve observar as regras de cadeia de custódia da prova previstas no Código de Processo Penal.

Para concursos, esse dispositivo pode ser cobrado tanto em Processo Penal quanto em legislação especial, especialmente em questões sobre investigação criminal, prova digital, cadeia de custódia e limites da atuação estatal em ambiente virtual.

O que mudou no Código de Processo Penal?

No Código de Processo Penal, a Lei nº 15.487/2026 alterou o artigo 313 para admitir a decretação da prisão preventiva nos crimes contra a dignidade sexual praticados contra criança ou adolescente, bem como nos crimes previstos nos artigos 240 a 241-D e 244-A do ECA.

Essa alteração é relevante porque insere expressamente tais delitos entre as hipóteses legais de cabimento da prisão preventiva, desde que também estejam presentes os requisitos do artigo 312 do CPP.

Em prova, é importante evitar um erro comum: a previsão do artigo 313 não dispensa a análise dos fundamentos da prisão preventiva. Ela apenas integra o conjunto de hipóteses em que a medida pode ser admitida, sempre observados os requisitos legais.

Quais crimes passaram a ser considerados hediondos?

A Lei nº 15.487/2026 também alterou a Lei dos Crimes Hediondos para incluir diversos crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Foram incluídos, entre outros, crimes relacionados à produção, venda, divulgação, armazenamento, solicitação, simulação, aliciamento e exploração sexual envolvendo crianças e adolescentes, nos termos dos dispositivos indicados pela nova redação da Lei nº 8.072/1990.

Esse ponto tem grande potencial de cobrança em provas objetivas, especialmente em questões que exploram o rol dos crimes hediondos, seus efeitos penais e processuais e a distinção entre crimes comuns, equiparados e hediondos.

O que mudou na Lei de Combate ao Crime Organizado?

A Lei nº 12.850/2013 também foi alterada.

A nova redação prevê causa de aumento de pena quando houver participação de criança ou adolescente na organização criminosa ou quando a organização criminosa for destinada ao cometimento dos crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente.

A alteração reforça a preocupação legislativa com estruturas criminosas voltadas à prática de delitos contra crianças e adolescentes, especialmente em contextos digitais e organizados.

Para concursos, o ponto de atenção está na combinação entre organização criminosa, crimes previstos no ECA e causa de aumento de pena.

O que mudou no Código Penal?

No Código Penal, a Lei nº 15.487/2026 alterou o artigo 92 para prever efeitos específicos da condenação em relação aos condenados por determinados crimes previstos no ECA.

Segundo a atualização, nesses casos serão aplicados efeitos previstos no artigo 92, bem como ficará vedada a nomeação, designação ou diplomação em cargo, função pública ou mandato eletivo entre o trânsito em julgado da condenação e o efetivo cumprimento da pena.

Trata-se de ponto relevante para provas que cobrem efeitos da condenação, especialmente quando a questão exigir atenção à legislação atualizada e à articulação entre Código Penal e Estatuto da Criança e do Adolescente.

Por que essa lei importa para concursos?

A Lei nº 15.487/2026 tem alta relevância para concursos jurídicos por três razões principais.

Primeiro, porque altera diversos diplomas cobrados com frequência: ECA, Código Penal, Código de Processo Penal, Lei dos Crimes Hediondos e Lei de Combate ao Crime Organizado.

Segundo, porque envolve temas atuais e sensíveis, como crimes digitais, inteligência artificial, prova digital, investigação em ambiente virtual e proteção integral da criança e do adolescente.

Terceiro, porque permite cobrança em diferentes formatos: literalidade da lei, comparação entre redação antiga e nova, identificação de novas causas de aumento, cabimento de prisão preventiva, classificação como crime hediondo e efeitos da condenação.

Como estudar a Lei 15.487/2026?

Para estudar essa alteração legislativa com eficiência, o ideal é não tentar decorar todos os dispositivos de uma só vez.

O primeiro passo é compreender o eixo da lei: endurecimento do tratamento penal da violência sexual contra crianças e adolescentes, com especial atenção ao ambiente digital e ao uso de inteligência artificial.

Depois, o candidato deve organizar o estudo por diplomas:

  1. no ECA, atenção aos novos tipos, aumentos de pena, conceito de material ou conteúdo de violência sexual e ronda virtual;
  2. no CPP, atenção ao artigo 313 e à prisão preventiva;
  3. na Lei dos Crimes Hediondos, atenção aos crimes do ECA incluídos no rol;
  4. na Lei de Combate ao Crime Organizado, atenção à nova causa de aumento;
  5. no Código Penal, atenção aos efeitos da condenação previstos no artigo 92.

Por fim, vale fazer uma leitura seca dos dispositivos alterados e, em seguida, resolver questões ou elaborar perguntas de revisão. Em atualizações recentes, a banca costuma explorar exatamente aquilo que mudou.

Conclusão

A Lei nº 15.487/2026 é uma atualização legislativa importante e com grande potencial de cobrança em concursos jurídicos.

Além de ampliar o tratamento penal dos crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, a norma atualiza a legislação brasileira para enfrentar condutas praticadas em ambiente digital, inclusive com uso de inteligência artificial.

Para o candidato, o estudo deve ser estratégico: compreender o sentido geral da lei, identificar os dispositivos alterados e memorizar os pontos com maior chance de cobrança objetiva.

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