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Entenda as diferenças entre os concursos do MPSP (Membro) e do TJSP (Magistratura)

Pedagógico

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9 set 2026 · 10 min de leitura

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Entenda as diferenças entre os concursos do MPSP (Membro) e do TJSP (Magistratura)

Quem está em São Paulo e quer uma carreira jurídica de alta performance quase sempre chega à mesma bifurcação: Ministério Público ou Magistratura. Os dois concursos são organizados no mesmo Estado, cobram matérias parecidas, pagam praticamente o mesmo e acontecem em intervalos semelhantes. A diferença não está na dificuldade — está no formato do funil: onde cada certame corta, o que ele mede e o que ele permite que você leve para dentro da sala.

Este texto compara os dois a partir dos dois certames em curso: o 97º Concurso do MPSP (95 vagas, prova escrita em 13/09/2026) e o 192º Concurso da Magistratura de SP (220 vagas, prova oral a partir de 22/09/2026).

O quadro geral

MPSP — Promotor de Justiça SubstitutoTJSP — Juiz Substituto
Fases de prova3 (preambular, escrita, oral)3 (objetiva, duas escritas, oral) em 5 etapas
Primeira fase100 questões, 5 horas100 questões em 3 blocos
Segunda fase1 dia: dissertação, peça e 5 questões2 dias: discursiva, sentença criminal e sentença cível
Nota mínima na escrita5,0 (de 10)6,0 em cada prova
Nota mínima na oral4,06,0
Examinadores na oral6 (Comissão de 7, presidida pelo PGJ)6
Enamnão exigidoobrigatório na inscrição
Organizaçãobanca própria do MPSP, com apoio operacional externoFundação Vunesp, sob comissão de desembargadores (os membros da
banca que elaboram as questões)
Certame em curso97º — 95 vagas192º — 220 vagas
Subsídio inicialR$ 34.083,14R$ 34.083,14

Fontes: Regulamento e avisos do 97º Concurso do MPSP; edital e comunicados do 192º Concurso do TJSP.

O que é igual

O salário. É a primeira pergunta e a mais rápida de responder: o subsídio inicial é o mesmo nos dois, R$ 34.083,14. Não existe escolha financeira entre promotor substituto e juiz substituto em São Paulo. Quem decide por dinheiro está decidindo por empate.

Os três anos de atividade jurídica não são exigidos para prestar a prova. Este é o mal-entendido mais caro que circula sobre as duas carreiras. Nos dois certames, a comprovação é feita na inscrição definitiva — que acontece depois das provas escritas, não no começo.

No MPSP, o Regulamento é explícito: os requisitos de ingresso são comprovados pelos candidatos classificados para a prova oral, por ocasião da inscrição definitiva. No TJSP, a inscrição definitiva é a terceira etapa, também posterior às escritas: no 192º, a preliminar foi em setembro e outubro de 2025 e a definitiva, entre 29 de junho e 21 de julho de 2026 — nove meses depois.

Na prática: quem tem dois anos e meio de atividade jurídica hoje pode, dependendo do calendário, prestar as primeiras fases dos dois. Deixar de se inscrever por esse motivo é abrir mão de um certame inteiro por engano.

Onde cada concurso corta

Esta é a diferença estrutural, e ela muda completamente onde vale investir o tempo de preparação.

Etapa97º MPSP192º TJSP
Inscrições deferidas10.9147.100
Habilitados à fase escrita1.4041.743
Aprovados nas escritasem andamento134
Vagas95220

Fontes: Aviso nº 684/2026 – PGJ-Concurso (MPSP) e comunicados do TJSP sobre o 192º Concurso.

O MPSP corta na primeira fase. Dos 10.914 inscritos deferidos, 1.404 passaram — cerca de 13%. E o corte não é uma nota fixa: passam os melhores até oito vezes o número de cargos, o que amarra a dificuldade da preambular ao número de vagas daquele ano. Foram 63 pontos no 97º e 73 no 96º.

O TJSP corta na segunda. Cerca de 1.700 candidatos passam pela objetiva em todos os certames recentes — 1.796 no 190º, 1.602 no 191º, 1.743 no 192º. É quase um quarto dos inscritos. O massacre vem depois: no 192º, esses 1.743 viraram 134. Mais de 92% caem nas provas escritas.

A consequência prática é direta. No MPSP, quem não domina questões objetivas de Penal, Processo Penal e Difusos não chega a mostrar o que sabe escrever. No TJSP, chegar à segunda fase é comum — e quem trata a objetiva como o alvo principal descobre tarde demais que ela vale peso 1 numa média em que as duas escritas valem 6.

Há ainda um contraste que merece atenção de quem calcula chance: o MPSP recebe mais de 100 inscritos por vaga; o TJSP, cerca de 32. Mas o TJSP historicamente não preenche as vagas que oferece — 244 vagas e 131 aprovados no 190º, 237 e 118 no 191º. No 192º, os 134 sobreviventes das escritas já são menos que as 220 vagas, e a oral ainda vem. O MPSP, ao contrário, trabalha com a expectativa de preencher tudo.

A segunda fase: um dia contra dois

No MPSP, tudo em uma sessão de 5 horas: uma dissertação (0 a 3), uma peça prática (0 a 2) e cinco questões (0 a 1 cada). Total 10, mínimo 5 — e zero na dissertação ou na peça elimina, por melhor que seja o resto. São três versões da prova, sorteadas momentos antes do início, e em todas elas Penal, Processo Penal e Difusos aparecem, apenas trocando de posição.

No TJSP, três provas em dois dias: discursiva e sentença criminal no mesmo dia, sentença cível no seguinte. 4 horas cada — 8 horas manuscritas no primeiro dia. Cada prova exige nota 6, e as sentenças só são corrigidas para quem passou na discursiva.

Isso não é uma diferença de conteúdo, é de resistência. A preparação para o TJSP precisa incluir simulados de dois dias seguidos; a do MPSP, treino de alocação de tempo entre sete produções diferentes numa única sessão.

O que se pode levar

Aqui há uma divergência concreta que muda o material de estudo:

MPSP (Aviso nº 704/2026)TJSP
Vade mecum comercial sem anotaçãopermitidopermitido
Grifo de marca-texto e sublinhadopermitidoproibido marca-texto fluorescente
Anotação ou remissão do candidatoproibidaproibida
Súmulas dos Tribunaispermitidasvedadas
Resoluções (CNMP, CONAMA, MPSP)permitidas
Limite de quantidadenão há

O item das súmulas é o que mais surpreende: o MPSP autoriza expressamente a consulta a súmulas dos Tribunais e do CSMP; o TJSP veda a consulta a súmulas e a orientação jurisprudencial. Quem se prepara para os dois precisa de dois materiais de consulta distintos — e de duas rotinas de memorização distintas.

A oral: a mesma sala, dois jogos diferentes

MPSPTJSP
Examinadores66
(O presidente não costuma perguntar)
Sorteio do pontono próprio dia, ao tomar assento24 horas antes
Tempo por examinador10 min, prorrogáveis por igual períodoaté 15 min
Nota mínima4,06,0
Material de consultafornecido pelo MPSPfornecidos pelo TJSP
Recurso da notairretratável

Duas diferenças pesam mais que as outras.

A primeira é o sorteio do ponto. No TJSP, o candidato sabe o tema com 24 horas de antecedência e tem uma noite para organizar a exposição. No MPSP, ele sorteia ao sentar e começa a ser arguido em seguida. São habilidades distintas: uma favorece o preparo de última hora bem executado; a outra, cobertura ampla e improviso estruturado.

A segunda é o tempo de arguição. No MPSP o estimado é 1 hora (10m por examinador) e no TJSP é de 1h15m (5 examinadores com 15m cada).

A nota mínima também conta uma história: 4,0 no MPSP contra 6,0 no TJSP. A oral do TJSP reprova de verdade — no 191º, 131 arguidos e 118 aprovados; no 190º, 153 e 131.

O que só um dos dois exige: o Enam

Para a Magistratura, o certificado de habilitação no Exame Nacional da Magistratura, emitido pela Enfam, é requisito de inscrição. No 192º, ele tinha de ser enviado até o encerramento das inscrições preliminares, com análise e recurso próprios, meses antes da prova objetiva. Sem ele, não há inscrição — e não há como resolver em cima da hora. As notas do Enam também não substituem nenhuma fase do concurso do TJSP: o exame habilita a concorrer, não abrevia o certame.

O MPSP não exige exame de habilitação equivalente ao Enam.

Isso significa que a decisão entre as duas carreiras tem um prazo escondido: quem cogita magistratura precisa entrar no ciclo do Enam antes de precisar decidir qualquer outra coisa.

As matérias: concentração contra dispersão

O MPSP concentra. Das 100 questões da preambular, 41 são de Penal, Processo Penal e Tutela de Interesses Difusos — e Difusos sozinha vale 14, mais que Civil ou Processo Civil. Somando Constitucional, chega-se a 53. As três matérias privativas de examinador do MP são exatamente essas, e elas reaparecem em todas as versões da prova escrita.

O TJSP dispersa. As 100 questões se distribuem por três blocos e catorze disciplinas, com mínimo de 30% de acerto em cada bloco — zerar um bloco elimina, mesmo com nota alta nos outros dois. Entram matérias que o MPSP não cobra na mesma intensidade: Tributário, Empresarial, Ambiental e, sobretudo, Noções gerais de Direito e formação humanística, com oito disciplinas próprias que caem em todas as etapas, inclusive na oral.

Quem vem do MPSP para o TJSP costuma subestimar Humanística e Tributário. Quem vem do TJSP para o MPSP costuma subestimar Difusos — e Difusos, no MPSP, é matéria de identidade institucional, não de tabela de pontos.

Dá para prestar os dois?

Dá, e muita gente presta. A base comum — Penal, Processo Penal, Constitucional, Civil, Processo Civil, Administrativo — cobre a maior parte dos dois programas. O que não se sobrepõe é o que decide:

  • Para o TJSP e não para o MPSP: Enam, Humanística, Tributário, Empresarial e Civil em profundidade, treino de sentença e de resistência de dois dias.
  • Para o MPSP e não para o TJSP: Difusos em profundidade, peça prática do MP, e uma preambular em que a nota de corte se move com o número de vagas.

O ponto honesto é este: preparar-se para os dois ao mesmo tempo é viável na primeira fase e caro na segunda. As provas escritas pedem conteúdos muito diferentes — sentença de um lado, peça ministerial e dissertação do outro — e é justamente na segunda fase que os dois certames cortam mais.

Como decidir

Nenhuma das duas carreiras é “melhor”. São funções distintas, e a escolha honesta é sobre o que você quer fazer todo dia — provocar ou julgar, investigar ou decidir. Mas a escolha sobre em qual concurso investir os próximos anos admite critérios objetivos:

  • Se você tem histórico forte em objetivas e domina Penal e Difusos, o funil do MPSP joga a seu favor.
  • Se você escreve bem sob pressão e tem resistência para dois dias de prova manuscrita, o funil do TJSP joga a seu favor.
  • Se você ainda não tem o certificado do Enam, o TJSP não é uma decisão para o ano que vem — é uma decisão para agora.
  • Se você quer as duas portas abertas, comece pela base comum e escolha a segunda fase até um ano antes do edital que pretende disputar.

Para os detalhes de cada certame, vale ler os guias completos: o concurso de promotor do MPSP e o concurso da Magistratura de São Paulo.


Sobre este texto. Redigido por André Estefam, promotor de Justiça do MPSP e coordenador pedagógico do Foco Total, com base nos Regulamentos, editais e avisos dos dois certames. Números do 97º Concurso do MPSP e do 192º Concurso do TJSP, atualizados em 9 de setembro de 2026.

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Dúvidas sobre a aplicação em prova são respondidas pela equipe pedagógica.